Minutas das reuniões da Rede Anticapitalista (Set-Dez 2016)

Setembro | Lisboa, Porto e Coimbra

Possibilidades práticas para um movimento pela justiça climática

Apresentação do tema:

– O impacto da forma atual da produção industrial e de serviços num planeta totalmente dominado pela acumulação do capital converteu-se num perigo para a humanidade.

– O risco de aumento de 4 a 5ºC da temperatura média ao longo do século XXI corresponderia a um impacto não registado em dezenas de milhões de anos (o Homo Sapiens tem 250 mil anos). A alteração de somente 1ºC já nos aproxima das condições do Holoceno, no fim da última grande glaciação.

– Esse risco não está a ser corrigido pelas medidas até hoje adotadas a nível internacional, que apenas mitigam os efeitos sem travarem as causas das alterações climáticas. As alterações climáticas poderão por isso causar ou acentuar conflitos em torno da posse da água e dos recursos essenciais, das migrações, da localização das populações e novas guerras.

– As alterações climáticas têm várias características assinaláveis – efeitos em larga escala, diferenças temporais importantes entre as causas e as consequências, incerteza crescente – mas efeitos públicos evidentes. As respostas exigem, por isso, medidas sociais estruturais, alterando o modo de produção e garantindo a socialização dos recursos. O capitalismo é o inimigo da humanidade. A agenda da esquerda deve ser a destruição do capitalismo. A única agenda para as alterações climáticas que pode funcionar é a agenda anticapitalista.

– A Rede Anticapitalista está empenhada no trabalho de base para a constituição e reforço de movimentos sociais e considera que as convergências para ações contra as alterações climáticas devem ter dois objetivos imediatos:

i. Mobilizar da forma mais aberta e unitária, constituindo redes de ativismo que possam assumir plataformas permanentes e suscitar ações em continuidade;

ii. Discutir e politizar o movimento, apresentando alternativas anticapitalistas à forma de organização da produção, à acumulação de capital, ao uso dos bens comuns da natureza, à distribuição social.


Outubro | Lisboa

Pais e encarregados de educação em rede

Dois momentos marcaram o desmantelamento da Escola Pública nos últimos anos. Primeiro, com Maria de Lurdes Rodrigues, na guerra aos professores e, depois, com Nuno Crato, na guerra à própria ideia de escola pública: criaram-se mega-agrupamentos e a figura do diretor todo-poderoso, alteraram-se programas, criaram-se metas desajustadas aos alunos, aumentou o número de alunos por turma, cortou-se em número de psicólogos e funcionários, muitos deles recrutados com base em trabalho forçado entre beneficiários do RSI.

Atualmente, há enormes assimetrias entre escolas na oferta formativa, tal como nas condições físicas e materiais, até dentro da mesma zona geográfica. As comunidades escolares entraram em dormência e passividade. As direções escolares são inoperantes, a classe docente está cansada e envelhecida e muitas Associações de Pais esvaziaram-se, tendo a seu cargo o Complemento de Apoio à Família e as Atividades de Enriquecimento Curricular mediante relações de dependência com as autarquias.

Às famílias é assacada, de forma velada, a “culpa” pelo insucesso escolar, enquanto a escola aliena responsabilidades, através de chumbos, exames e TPC como extensão da escola para o espaço doméstico. Não aceitamos esse regime: os pais e cuidadores precisam de tempo para as crianças e as crianças precisam de tempo para brincar, ler, jogar ou simplesmente estar com as suas famílias. Os familiares e encarregados de educação não são professores dos filhos nem têm que ser (ou querer/poder pagar) explicadores.

O Bloco de Esquerda tem muitos militantes e simpatizantes ativos enquanto pais e encarregados de educação. É necessário reunir esses ativistas para debater uma política alternativa e formas de mobilização de pais e encarregados de educação.


Novembro | Porto

Feminismos – Não sejas Trump!

(ver apresentação e desenvolvimento da campanha contra o assédio sexual em Vai Acontecer)


Dezembro | Coimbra

Feminismos – Não sejas Trump!

Foi apresentada e debatida a campanha sobre assédio sexual em espaço público, assim como a convocação da manifestação internacional de 21 de janeiro – Marcha das Mulheres. Acertamos calendários e partilhamos ideias, tendo Coimbra passado a fazer parte da rede de cidades onde a campanha acontecerá.